Cor

 

A cor sempre foi um elemento essencial e marcante no meu trabalho.

As Zonas de Silêncio, trabalhadas no Chile, não chegam a ser a exceção que

justifica a regra. A cor está ali também presente: mais escura, mais fechada,

quase sussurrada.

Não sei viver sem cor, minhas casas são sempre muito coloridas e muitas vezes surpreendem pelo inesperado.

As cores sempre apareceram nos vestidos em combinações ousadas e

em quase todos os trabalhos, com poucas exceções.

Valho-me da cor para criar geometrias e tensões, uma luta permanente

entre o equilíbrio e o desequilíbrio, como acontece também no nosso cotidiano. É como puxar e soltar a corda, e ir equilibrando o barco.

Série Tensões

Washington | 1981

Em Washington me reinventei - trabalhando pela primeira vez no plano, em escala bidimensional. 

Dessa vez, a necessidade e as circunstâncias me levaram a trabalhar em telas, algo que nunca fizera. Também fiz uma serie de trabalhos com cartões vazados, recortados

e pintados. E uma série de dobraduras com papel colorido. Brinquei bastante com essas dobraduras, como se fossem plantas baixas.

Todo o trabalho no plano ressalta naturalmente as formas, a geometria se ancorava nas cores. Não se pinta uma reta, um quadrado. Mas um quadrado vermelho

e uma reta azul...

Série Segmentos

Montevideo | 1985

Morei duas vezes em Montevidéo com a diferença de 20 anos e dois momentos bem diferentes do ponto de vista pessoal, mas  igualmente produtivos e enriquecedores. Acrescentei às telas recortes que trouxeram de volta as construções com madeira.

Angola
2007 | 2010

Angola merece um capítulo à parte.

Pela primeira vez assumi o papel de Embaixatriz e acompanhei com entusiasmo Afonso

nessa difícil tarefa.

Se por um lado Angola foi pouco produtivo para meu trabalho, posso afirmar com segurança

que foi uma experiência extremamente gratificante.

Fiz inúmeros trabalhos sociais e pude transmitir também um pouco da minha experiência profissional através de vários workshops de papel maché. Essa sementinha ficou nas mãos

de Virginia Romão, que  passou a desenvolver esse trabalho com um grupo de deficientes físicos. Hoje eles vendem seus trabalhos em papel maché em uma feira de artesanato de Luanda,

em benefício do grupo. Lindo projeto!

Em Luanda, criei meu primeiro blog e tornei-me de vez uma  “agitadora cultural”.

Foram 2 anos e meio muito intensos.

A gente pode ir embora da África, mas leva – como levei – Angola e o continente, sua gente,

sua música, sua luta diária por uma vida melhor, no coração e na alma.

Até hoje me surpreendo aplicando padronagens, búzios e texturas africanas a trabalhos

que imaginei e realizei em paragens e com referências culturais bem diferentes.

A foto montagem da mulher africana, andando com a trouxa à cabeça e os filhos colados

ao corpo, pela paisagem de Toronto ilustra bem o que digo.

A capa que fiz para o livro de Luisa Coelho, sobre  mulher angolana faz reviver esse

capítulo à parte, com toda sua intensidade, sofrimento, alegria e beleza.

Série Paisagens Africanas

Toronto - 2011 | 2013

Em Toronto continuei a serie de paisagens africanas.

Mas também  diversifiquei muito meu trabalho. Falo mais sobre esse tema na página de videos.

Considero o trabalho mais importante nesse período o “Café com letras”, um evento desenhado para a comunidade brasileira, com a comunidade brasileira.

Também montei uma instalação, Self-portrait, trabalhei com cenário e figurinos, montei exposições, um trabalho de verdadeira "agitadora cultural”, experiências diferentes,  igualmente enriquecedoras.

Série Rio de Janeiro

 2018 | 2019

fotos: Marília Figueiredo

A volta ao Brasil significa para mim a volta ao sol, ao calor humano , um pouso fixo e sobretudo estar novamente no ponto de partida, onde comecei minha carreira como artista nos anos 60. Anos inquietos da Nova Objetividade Brasileira e que,

sem dúvida, deixaram uma marca em toda minha trajetória. Hoje, anos igualmente complicados, 

uma viagem no tempo.

Os trabalhos atuais provavelmente são uma síntese  de todas as  geometrias que trabalhei, memórias, poesias e críticas, um caminho aberto para retomar idéias e conceitos com a liberdade necessária

à criatividade.

Liberdade
Exposição individual 
Galeria Portas Vilaseca

Rio de janeiro | 2019

fotos: Marília Figueiredo e Rafael Salim

Curadoria de Raphael Fonseca

Apresentação

café com letras
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